Connections.
10.7.09
2:31 AM
Ensino Médio
Tempo. Série ininterrupta e eterna de instantes. Medida arbitrária da duração das coisas. A época determinada em que se realizou um fato ou existiu uma personagem.
Personagem essa que agora vos escreve. Saudosista como sempre, retoma velhas recordações a fim de trazer toda aquela alegria, aquela vida, aqueles momentos inenarráveis para o hoje.
Apenas dois anos e parece uma eternidade, a vida caminha a passos de gigantes. Nós, meras formiguinhas, estamos submetidos a esses passos, a essa velocidade quase tão rápida quanto a da luz. Esses momentos que passam em flashes por nós.
Posso lembrar do primeiro ao último dia. Do primeiro amigo, da primeira amiga. Da primeira confusão. Do primeiro amor.
Esse curto espaço de tempo, que se comparado a toda uma vida não passa de um borrão, se esplandece, mostra todo seu brilho, sua magnificência, se destaca de qualquer outro tempo.
E é no meio de todo esse fulgor que essa personagem passou os melhores momentos da sua vida. Foi nesse tempo, tão intenso, que conheceu pessoas que, mesmo não estando mais presentes, permanecerão em sua memória para sempre. Porque momentos tão fortes com pessoas tão intensas não podem ser esquecidos de uma hora para outra, não é tão simples, nem deve ser.
Desde a baixinha lutadora de Tae Bo até a gigante babona, todos, sem exceção, tiveram hábeis apresentações nesse ato tão importante dessa peça. Os principais, coadjuvantes e até figurantes, foram essenciais para meu
gran finale. Um
gran finale que, ao fechar a cortina, fez com que a platéia aplaudisse veemente enquanto lágrimas corriam de seus olhos por ser o fim.
Uma peça de apresentação única, porém inesquecível.
8.6.09
6:47 PM
Agonia
Ao cruzar uma esquina, toda feliz, parei por um instante.
Uma moça chorava sozinha.
Meu sorriso sumiu, minha felicidade esmaeceu.
Tinha que atravessar a rua, carros passavam... enquanto esperava, pensava se ajudava ou não.
É muito difícil ajudar as pessoas aqui, principalmente desconhecidos.
Quem saberá a reação? E se for só um golpe?
Ou se algo terrível aconteceu e eu não saiba como reagir e ajudar? Se eu apenas piorar?
Os carros pararam de passar.
Me detive por um momento... então continuei meu caminho, não mais feliz, mas sim agoniada, pensando que era melhor seguir em frente pelo meu bem... mas sem deixar de pensar que poderia ter sido O alguém para outro.
7.6.09
11:30 PM
A bicicleta
"Não quero dormir.
Deveria, mas não quero.
Meu corpo pede, mas não quero."
Deita na cama, mas não para dormir, só porque não lhe resta mais nada a fazer.
Se acomoda embaixo da coberta, faz frio.
Seus dedos dos pés estão gelados sob as meias.
Olhos fixos no teto, não tem o que pensar, procura o que pensar.
"Queria... "
Não sabe o que quer, procura o que querer.
Mente vazia. Um vazio cheio.
Suas pálpebras pesam.
"Não quero dormir."
Angústia.
"Haviam estrelas nesse teto."
Lembra do passado, de como gostava de deitar nesse quarto e ver os adesivos de estrelas brilharem no escuro. Gostava da estrela cadente. Acreditava que realizaria todos os seus desejos.
Sob a tinta branca, encontra a estrela. Fita-a com os olhos. As pálpebras pesam.
"Não quero dormir"
Pensa em um desejo.
"..."
Não encontra.
Lembra dos desejos de quando era menor. Lembra de pedir uma bicicleta em um Natal. Lembra de tê-la ganhado... rosa, com flores, ainda de rodinhas. Lembra da primeira vez que andou nela pelo apartamento. Lembra da felicidade de pilotar aquela coisa rosa enfeitada. Lembra de quando retirou as rodinhas, de como relutou em enfrentar um quebra-molas, mesmo que já soubesse andar sem rodinhas. Lembra da primeira vez que passou por ele, da felicidade, do poder, do sucesso.
Pede uma bicicleta.
Suas pálpebras pesam.
"Quero uma bicicleta"
Dorme.
11:00 PM
não é tão difícil ser emotiva, se você sabe o que sente e porquê sente.
11:00 PM
como alguém pode ser tão feliz e logo depois tão triste?
10:56 PM
eu queria conseguir arrumar meus pensamentos e então escrever.
4.6.09
3:53 PM
Pensamentos do dia
"As plantas não são fofinhas, gostosas. Elas podiam ser. Podiam ser feitas de algodão doce, aí seriam fofinhas. Hmmm... fofinhas e gostosas. Não, seriam grudentas... tinham que ser feitas de algodão mesmo. Aí sim. Hmmm..."
(indo pro centro)
"Não usaria, não usaria, não usaria... que cor boniiiiiiiita. Não usaria, não usaria, não usaria. QUE QUE É ISSO NA CABEÇA DELA? Hm... gostei da saia."
(sobre exposição Yves Saint Laurent)
"Como elas andam nessas coisas grandes? Magra, nojenta."
(sobre modelos exposição Yves Saint Laurent)
"Se eu fosse um peixe não teria que fazer nada. Um peixe não faz nada. Um peixe nada! só nada! NADA! HAHAHAHA"
(pensando nos trabalhos. - sim, eu faço trocadilhos idiotas - hihihihi)
Aliás, acho que todo mundo deveria ir a uma exposição pelo menos uma vez por semana. Semana que vem vou ao CCBB de novo. Exposição do Michel Gondry... INTERATIVA!
24.5.09
8:31 PM
refúgio
quando a gente é obrigado a passar todas as semanas fora, percebe o quanto sente falta daquele lugar, quanto o fim de semana é pequeno e o quanto passa rápido.
12.5.09
6:02 PM
Existem momentos em que estar só não dá.
São tempos em que você não se aguenta, que sua cabeça pesa e a gravidade parece cada vez mais forte.
Nessas horas você precisa de alguém.
Já fui alguém. Pra muita gente.
Sempre fui alguém.
Mas esses momentos passam, a gravidade afrouxa e o alguém se perde.
Me perdi.
3.5.09
11:19 AM
Chuva
Outro dia, voltando pra casa, uma chuva ENORME começou a cair.
Eu até poderia esperar que ela passasse, porque assim que começou eu estava em lugar coberto. Mas não quis... não quis desperdiçar a minha chance de poder andar em uma chuva tão densa.
O sinal trocou do verde para o vermelho, e meus pés, inconscientemente, me levaram para aquela poça.
Pisei, e meus pés sentiram todo o gelado daquela água. Minhas meias eram pura água.
Meu corpo sentiu frio.
Meu rosto sentiu os fortes pingos.
Meu cabelo se tornou uma coisa só.
E então fui, continuei, a passos largos.
Olhava ao redor e só conseguia ver pessoas encolhidas sob as entradas dos prédios, bares, shopping, tudo em que pudessem se esconder da chuva.
Olhava para todas elas e as via olhando pra mim.
Comecei a imaginar o que estariam pensando.
Só poderiam pensar que estaria louca, que fosse até retardada, que pegaria uma pneumonia.
E pensando nisso, não me contive... comecei a rir.
O riso veio e eu não pude negá-lo.
Ri, sorri, brinquei.
Abri os braços e olhei pra cima.
Contemplei cada gota daquela chuva que caia em meu rosto.
Caminhei cantarolando.
Relaxei.
Morria de frio, mas não queria por nada sair dali.
Sabia que estava a caminho de casa, chegando já, por isso diminuía meus passos. Andava cada vez mais devagar, fazendo com que cada segundo se transforma-se em horas.
Por fim, não pude mais enrolar.
Cheguei em casa. E assim que coloquei meu pé no seco, o sorriso foi substituído por minha máscara diária. Os problemas, os afazeres, as perguntas, o dia caiu em minha mente. E antes que pudesse me lembrar de tudo o que por minutos tinha esquecido, dei um passo pra trás e me deliciei novamente naquele frio, naquele molhado, naquela felicidade.
11:13 AM
aneopA
É difícil seguir em frente.
Pensar no ontem e ver que nada daquilo vai voltar, e que quase nenhuma daquelas pessoas permanecerão. Muitas até te esquecerão.
É difícil ser esquecida. Mais ainda por aqueles que eram importantes pra você.
Quantas vezes não tentei escrever?
Mas não sei o que faria... talvez nem lembre, talvez nem queira lembrar. Ou simplesmente, talvez nem leia.
Não escrevo, pois sei que é uma carta sem resposta.
E é isso, esse silêncio, depois de todo o meu desabafo, que me coloca no chão.
A indiferença.
Me esmaga, me anula.
É essa sensação de querer e não poder ter.
Me faz sentir sozinha.
Afloram meus maiores medos.
Assim, só penso, penso em como talvez pudesse ficar feliz quando lesse meu nome no remetente. Mas o medo da indiferença é maior.
Minha imaginação não me faz ficar triste.
Ela me dá o que quero ter.
E é por isso, somente por isso, que te escrevo... mas em mente, todos os dias, todo o tempo.