Connections.
3.5.09
11:19 AM
Chuva
Outro dia, voltando pra casa, uma chuva ENORME começou a cair.
Eu até poderia esperar que ela passasse, porque assim que começou eu estava em lugar coberto. Mas não quis... não quis desperdiçar a minha chance de poder andar em uma chuva tão densa.
O sinal trocou do verde para o vermelho, e meus pés, inconscientemente, me levaram para aquela poça.
Pisei, e meus pés sentiram todo o gelado daquela água. Minhas meias eram pura água.
Meu corpo sentiu frio.
Meu rosto sentiu os fortes pingos.
Meu cabelo se tornou uma coisa só.
E então fui, continuei, a passos largos.
Olhava ao redor e só conseguia ver pessoas encolhidas sob as entradas dos prédios, bares, shopping, tudo em que pudessem se esconder da chuva.
Olhava para todas elas e as via olhando pra mim.
Comecei a imaginar o que estariam pensando.
Só poderiam pensar que estaria louca, que fosse até retardada, que pegaria uma pneumonia.
E pensando nisso, não me contive... comecei a rir.
O riso veio e eu não pude negá-lo.
Ri, sorri, brinquei.
Abri os braços e olhei pra cima.
Contemplei cada gota daquela chuva que caia em meu rosto.
Caminhei cantarolando.
Relaxei.
Morria de frio, mas não queria por nada sair dali.
Sabia que estava a caminho de casa, chegando já, por isso diminuía meus passos. Andava cada vez mais devagar, fazendo com que cada segundo se transforma-se em horas.
Por fim, não pude mais enrolar.
Cheguei em casa. E assim que coloquei meu pé no seco, o sorriso foi substituído por minha máscara diária. Os problemas, os afazeres, as perguntas, o dia caiu em minha mente. E antes que pudesse me lembrar de tudo o que por minutos tinha esquecido, dei um passo pra trás e me deliciei novamente naquele frio, naquele molhado, naquela felicidade.